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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

posts do antigamente #37

A felicidade não tem 500 palavras
Mark era toxicómano. Perdia-se por entre copos meio-cheios de whisky e pontas de charros esquecidas no sofá. Há muito que a sua vida deixara de ter sentido. Não conhecera o pai e a mãe não lhe merecia tal consideração. Crescera num bairro pobre dos subúrbios, no meio de histórias tão estranhas e deprimentes como a sua. Como quase todos os seus companheiros, Mark começou a fumar muito cedo; não se lembra sequer da idade que tinha na altura. Pouco depois experimentava o álcool e marijuana; começou a cheirar cola e gasolina. Abandonou a escola depois de aprender a ler e escrever. Dizia ele que o resto podia aprender sozinho; e assim o fez.

Arranjou um emprego precário num alfarrabista da cidade. A partir do pó recordou Camus, Wilde ou Tolstoi; a partir do pó começou a escrever os seus devaneios. A partir do pó dos livros aprendeu; a partir do pó que comprava no metro, tornou-se escritor.

Escrevia na rua, sobre a rua, para a rua. Sabia que era genial, mas do alto da sua insanidade, rasgava todos os pedaços de literatura que produzia. Escrevia para si, porque mais ninguém queria ler. Escrevia para si, porque era extraordinariamente brilhante para ser compreendido.

Um dia conheceu Jane, estudante de filologia clássica. Jane era a primeira pessoa que entrara no alfarrabista, desde que Mark começara a trabalhar lá – já haviam passado dois anos. Mr. Gibson não parecia importar-se muito com o prejuízo que a sua loja – localizada na cave de umas velhas e abandonadas galerias – lhe dava. Era herdeiro da fortuna de um grande mecenas, ao qual prometera disponibilizar à comunidade, a sua vasta biblioteca.

Jane estudava na Faculdade de Ciências Humanas, que ficava a dois quarteirões da loja de Mr. Gibson. Todos os dias, no caminho para a faculdade, Jane passava pelas galerias, sempre sem notar que se tratava de um espaço comercial. Por mero acaso, uma dia – quando passava por lá – ficou intrigada com o vulto de Mark, que viu carregando uma obra, que julgava inédita, de Sofócles. Decidiu segui-lo.

Mark era anti-social. Não tinha amigos e nunca tinha tido uma namorada. Ao ver Jane, entrar na loja, Mark corou, fechou apressadamente o livro que lia e gaguejou um “Bom dia”. Jane inquiriu Mark sobre autores clássicos. Ele, atabalhoadamente, entregou-lhe quatro diferentes livros e disse-lhe: “Leve, leve! Já os li e são dos livros da minha vida”. Impressionada e intimidada, Jane agradeceu timidamente e saiu.

Jane viria mais tarde a viver com Mark durante quase quatro anos. Mark encontrara um novo rumo e escrevia agora para mais outra pessoa. O seu mundo crescera, e com isso, crescera também, a sua imaginação literária. Escrevia agora a um ritmo alucinante. Graças a Jane, os seus manuscritos começaram a circular no meio intelectual de Nekorb City. Quando começava a ser aclamado por algumas vozes, Mark morreu. As misturas explosivas de estupefacientes, anti-depressivos e álcool haviam surtido – finalmente – o efeito desejado.

Jane suicidar-se-ia dias depois. Uma dose de cicuta ser-lhe-ia fatal. O amor também.


escrito por by joão martinho Email post



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